LUANDA - A comunidade da Chicala-1, no município da Ingombota, está mergulhada em choque e indignação após a morte brutal de Nelson Chimenene João, de 28 anos. O jovem terá sido espancado até à morte na madrugada do último domingo, 7 de Junho, alegadamente por efetivos dos Serviços de Proteção Civil e Bombeiros no posto local. Dois suspeitos já se encontram detidos, mas a família exige que o coordenador do bairro também seja responsabilizado.
De acordo com informações recolhidas pela reportagem do Na Mira do Crime, os incidentes começaram com uma briga entre amigos na qual a vítima se viu envolvida. Durante a contenda, o coordenador do bairro, identificado apenas como Santorino que se presumia ser efetivo da Polícia Nacional, interveio no local efetuando disparos de arma de fogo para dispersar o tumulto.
Logo em seguida, o coordenador terá acionado os agentes dos Serviços de Proteção Civil e Bombeiros. Estes recolheram Nelson João e mais dois amigos envolvidos na briga, conduzindo-os para o interior do quartel da Chicala.
A família só soube do sucedido por volta das 04h00 da manhã, através da mãe de um dos outros jovens detidos. Maria Teresa, tia do malogrado, relatou os momentos de angústia que se seguiram: "Assim que amanheceu, a minha irmã dirigiu-se às esquadras mais próximas, mas não encontrava o meu sobrinho. Mais tarde, por volta das oito horas, alguém do bairro ligou a um familiar nosso que está fora de Luanda a informar que o meu sobrinho tinha sido morto à pancada pelos bombeiros, e que as autoridades acabavam de remover o corpo a partir do quartel dos bombeiros da Chicala."
Ao deslocarem-se ao quartel, os familiares depararam-se com relatos de horror.
Moradores vizinhos ao posto relataram ter ouvido gritos desesperados de socorro durante a madrugada, mas o medo de represálias por parte do coordenador do bairro silenciou qualquer tentativa de intervenção imediata.
O cenário encontrado pela família na morgue foi descrito como "arrepiante". A violência aplicada contra o jovem de 28 anos deixou marcas de extrema crueldade:
Rosto desfigurado: A vítima apresentava lesões graves na face.
Mutilação: Um dos olhos de Nelson foi furado.
Fraturas múltiplas: Tanto os braços como as pernas do jovem foram partidos durante as agressões.
O caso já está sob a alçada das autoridades competentes. Dois efetivos dos bombeiros foram detidos e encaminhados para o Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Luanda, estando o caso registado sob o processo n.º 5937/26 -DH/PGR.
No entanto, a atuação das autoridades está a ser fortemente contestada pela família, que aponta o dedo à impunidade do coordenador do bairro.
"O que nos inquieta é que o vizinho, coordenador do bairro, que chamou os bombeiros e levaram os três amigos, não foi detido. Ele também tinha que ser detido", lamenta Maria Teresa. Segundo a tia da vítima, Santorino costuma gabar-se da sua suposta imunidade devido ao cargo na polícia e a influências de alto nível, sendo inclusivamente apelidado na zona de "João Lourenço" pelo temor que impõe.
"Acho que esta é a razão de ele não ser detido. Infelizmente, as influências estão a falar mais alto do que a morte do meu sobrinho", concluiu a entrevistada.
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