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ISABEL DOS SANTOS ARRASA GOVERNAÇÃO DE JOÃO LOURENÇO E DIZ QUE ANGOLA “NAVEGA SEM RUMO”






Empresária manifesta profunda decepção com quase dez anos de governação, critica política económica, justiça e afasta apoio a João Lourenço nas eleições de 2027!

A empresária angolana Isabel dos Santos lançou duras críticas à governação do Presidente João Lourenço, afirmando que, após quase uma década de mandato, Angola regrediu em vários indicadores sociais e económicos e continua distante do nível de desenvolvimento que os cidadãos esperavam alcançar.

Em entrevista concedida à Rádio Essencial, Isabel dos Santos afirmou estar profundamente decepcionada com os resultados da actual governação, apontando o aumento da pobreza, o desemprego, a perda do poder de compra das famílias e a constante desvalorização do kwanza como sinais evidentes do fracasso das políticas económicas implementadas nos últimos anos.

“Estou decepcionada, porque esperava mais e melhor para o meu país”, declarou a empresária, lamentando aquilo que considera ser uma ausência de medidas eficazes para melhorar as condições de vida da população angolana.

A antiga presidente do Conselho de Administração da Sonangol criticou igualmente a actuação da Administração Geral Tributária (AGT), acusando o sistema fiscal de sufocar empresas e dificultar o crescimento da economia nacional.

Segundo Isabel dos Santos, os elevados impostos, a excessiva burocracia administrativa e as constantes inspecções às empresas criam um ambiente hostil para os investidores e empreendedores, prejudicando a criação de emprego e o desenvolvimento económico.

“São desnecessários impostos tão altos quando ainda há uma economia tão frágil. A política económica não ajuda o povo”, sublinhou.

“ANGOLA ESTÁ A NAVEGAR SEM RUMO”

Num dos momentos mais contundentes da entrevista, Isabel dos Santos afirmou que Angola atravessa uma grave crise de orientação política e económica.

Para a empresária, o país carece de uma estratégia clara de desenvolvimento e de instituições capazes de gerar confiança junto dos investidores nacionais e estrangeiros.

A também militante de base do MPLA defendeu uma profunda reforma das instituições, com especial destaque para o sistema judicial, que considera estar excessivamente condicionado por interesses políticos.

ACUSA PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

Durante a entrevista, Isabel dos Santos voltou a rejeitar todas as acusações que enfrenta nos tribunais angolanos relacionadas com alegada utilização indevida de fundos públicos.

A empresária garantiu que as acusações têm motivações políticas e acusou sectores do poder de utilizarem os processos judiciais como instrumento de perseguição e revanchismo.

“Estou a ser acusada de coisas que não existiram, que não aconteceram”, afirmou, alegando ser vítima de disputas internas existentes no MPLA e de uma campanha dirigida contra si por ser filha do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Actualmente fora de Angola, Isabel dos Santos afirmou que não regressa ao país por considerar não existirem garantias de justiça imparcial, acusando a Procuradoria-Geral da República de conduzir uma perseguição política contra a sua pessoa.

2027: SEM APOIO A JOÃO LOURENÇO

Em declarações que poderão provocar forte repercussão no seio do partido governante, Isabel dos Santos revelou que não apoiará o MPLA nas eleições gerais de 2027 caso João Lourenço permaneça na liderança da formação política.

Apesar de manifestar satisfação pelo surgimento de várias candidaturas à presidência do partido no próximo congresso ordinário, a empresária defendeu a necessidade de uma nova liderança e de uma nova visão para conduzir os destinos do país.

“Espero que seja outro governo e outra liderança. Não a liderança que segue este formato”, afirmou.

Ainda assim, Isabel dos Santos assegurou que continua comprometida com o futuro de Angola e reiterou a sua defesa de uma nação mais justa, inclusiva e capaz de gerar oportunidades para todos os cidadãos.



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