LUANDA – O Ministério da Educação reconheceu que Angola continua a enfrentar um défice superior a 60 mil professores, mesmo com a abertura do concurso público externo para a contratação de 9.000 novos docentes, cuja candidatura terá início no próximo 15 de julho.
O anúncio foi feito pela ministra da Educação, Érica Linite Batalha de Carvalho Aires, que afirmou que o novo recrutamento faz parte das medidas do Executivo para reforçar o sistema nacional de ensino e responder ao crescimento da procura por vagas nas escolas públicas em todo o país.
De acordo com os dados apresentados, Angola conta atualmente com cerca de 237 mil professores, concentrados maioritariamente no ensino primário, seguindo-se os docentes do primeiro e do segundo ciclos do ensino secundário.
Apesar do reforço previsto, o próprio Ministério admite que o país continua a viver um défice estrutural superior a 60 mil docentes, uma realidade que afeta milhares de alunos, sobretudo nas zonas mais distantes, onde muitas escolas enfrentam dificuldades para garantir o funcionamento regular das aulas.
Especialistas defendem que a contratação de novos professores representa um passo importante, mas alertam que o número anunciado ainda está longe de responder às necessidades reais do sistema educativo nacional. A insuficiência de docentes continua a refletir-se em turmas sobrelotadas, redução da carga horária e dificuldades no acesso universal à educação.
O Executivo considera, no entanto, que o concurso constitui mais uma etapa na estratégia de expansão da cobertura escolar e de melhoria da qualidade do ensino em Angola.
A educação continua a ser um dos maiores desafios nacionais. Enquanto milhares de jovens aguardam uma oportunidade para ingressar na carreira docente, dezenas de milhares de vagas permanecem por preencher nas escolas do país. O futuro da educação dependerá não apenas de novos concursos, mas também de investimentos consistentes na valorização dos professores e na expansão da rede escolar.

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