Operação Miragem investiga alegada manipulação de balanços contabilísticos no Banco Digimais. Justiça brasileira autorizou buscas, quebra de sigilos e bloqueio de bens avaliados em cerca de 111,7 milhões de euros.
São Paulo (Brasil) – A Polícia Federal brasileira desencadeou, na última terça-feira (23), uma vasta operação contra o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário do grupo de comunicação RecordTV.
A denominada Operação Miragem visa investigar alegados crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de demonstrações contabilísticas e realização de operações financeiras proibidas pela legislação brasileira.
Por determinação da Justiça Federal de São Paulo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. O tribunal autorizou ainda o bloqueio e sequestro de bens e valores até ao montante de 670 milhões de reais, equivalente a cerca de 111,7 milhões de euros.
Segundo a Polícia Federal, a investigação foi sustentada por relatórios técnicos produzidos pelo Banco Central do Brasil, que identificaram indícios de manipulação de demonstrativos contabilísticos e de registos regulatórios.
De acordo com os investigadores, os responsáveis pelo banco terão alegadamente criado mecanismos para ocultar a real situação financeira da instituição, transmitindo aos reguladores uma imagem de solvência que não corresponderia à realidade económica do banco.
A Polícia Federal sustenta que estas práticas poderão ter permitido a sobrevalorização de activos e a criação artificial de receitas avaliadas em centenas de milhões de reais.
Embora as autoridades brasileiras não tenham anunciado formalmente investigações por branqueamento de capitais, especialistas consideram que operações de ocultação de prejuízos, manipulação contabilística e circulação irregular de recursos costumam ser alvo de escrutínio adicional por parte dos órgãos de combate ao crime financeiro. Até ao momento, contudo, não existe acusação formal por lavagem ou branqueamento de capitais divulgada pelas autoridades.
Informações divulgadas pela imprensa brasileira indicam que o nome de Edir Macedo consta do pedido de bloqueio patrimonial apresentado pela Polícia Federal. No entanto, o líder religioso não foi alvo de buscas domiciliárias, uma vez que reside actualmente fora do Brasil.
Entre os alvos da operação figuram ainda dirigentes e administradores ligados ao Digimais e a empresas gestoras de fundos associados à instituição financeira.
A entrada de Edir Macedo no sector bancário ocorreu em 2020, quando adquiriu o antigo Banco Renner, instituição fundada no sul do Brasil.
Após a aquisição, o banco passou a operar sob a marca Digimais e transferiu a sua sede para São Paulo.
Nos últimos anos, a instituição acumulou dificuldades financeiras e passou por sucessivas tentativas de reestruturação. Em Abril deste ano (2026), o banco de investimentos BTG Pactual anunciou um acordo preliminar para aquisição do Digimais, operação que ainda dependia de aprovações regulatórias.
Em nota citada pela imprensa brasileira, o Banco Digimais declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e afirmou manter o compromisso com a transparência e a conformidade regulatória.
Por sua vez, a Igreja Universal afirmou que Edir Macedo não participa da gestão operacional, financeira ou contabilística da instituição bancária, acrescentando que confia na actuação das autoridades e no esclarecimento dos factos.
Os investigados poderão responder por crimes de:
Gestão fraudulenta de instituição financeira;
Inserção de informações falsas em demonstrações
contabilísticas;
Operações de crédito vedadas pela legislação financeira brasileira;
Outras infracções que venham a ser apuradas durante a investigação.
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